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Rev. Eronides DaSilva
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O terceiro capítulo da Bíblia Sagrada descreve objetivamente a introdução do pecado na raça humana. Ao ser submetido à uma prova, que deveria capacitá-lo ao exercício pleno de sua liberdade moral e intelectual, o homem falhou, não resistindo ao ataque inimigo. Isto provocou uma alteração em seu estado de vida físico, social, psíquico, moral e espiritual. Sua natureza foi abalada seriamente e suas relações pessoais com Deus foram imediatamente interrompidas. Foi uma tragédia que se abateu e se espalhou sobre toda a raça. O pecado introduziu um elemento novo na personalidade humana, pois os que vieram depois dele, nasceram com o estigma dessa natureza pecaminosa, da qual somente se podem libertar mediante a aspersão do sangue de Jesus (Jo 1.29; 1Pe 1.19). Toda a raça ficou comprometida com o pecado (Gn 2.15-17; Sl 14.1-3; Rm 1.20-24). Em consequência do primeiro pecado, o homem tornou-se inerentemente mau e rebelde, dependente e tímido, destituído da glória de Deus. Adão e Eva não foram criados seres pecadores, senão pecáveis. Seu pecado foi voluntário e consciente. Não caíram por acaso, pois a fonte do pecado era de natureza externa. Mas, pelo fato de haverem pecado, motivados por um agente externo (Satanás), Deus os considerou dignos de perdão. Isto distingue o pecado do homem, do pecado de Satanás, que por haver pecado em seu próprio coração, sem atenção externa, jamais terá direito a qualquer tipo de perdão.
Conforme
está escrito em Isaías 14.12-15 e Ezequiel 28.13-17, milhares de anos antes da
criação do mundo e dos seres viventes, havia nos céus um ser angelical chamado
Querubim de Luz (Lúcifer). Este, invejando a posição de Deus e da formosura das
coisas celestiais, intentou no seu coração usurpar a posição divina, promovendo
uma rebelião nos céus. Como no céu não pode existir rebeliões, ou outra forma de
pecado, Deus expulsou o Querubim de Luz, juntamente com todos os seres
angelicais que participaram da revolta (Ap 12.4). A realidade da
existência de Satanás, dos demônios e do pecado é comprovada muito naturalmente
nas Escrituras Sagradas (Sl 51.5; Rm 5.12).
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A palavra pecado, do vocábulo grego Hamartia, significa errar o alvo (Tg 4.17; Rm 3.23). O pecado não é uma deformação psicológica, mas sim um ato voluntário de rebeldia e desobediência do homem contra o seu Criador. O pecado consumado, provocou a separação do homem do seu Criador (Rm 3:23); a perda da sua imagem original moral (Tg 3:9); a morte eterna (Rm 5:12). Podemos ainda definir o pecado como:
Desobediência - Tg
1.3,13-15; Hb 2.2
Transgressão - Tg 1.15; 1Jo
3.4
A
desobediência, na maioria das vezes, está latente, escondida no coração. A
transgressão sempre está patente e exposta. Isto significa que toda a ação
contra Deus, seja escondida ou revelada, é pecado.
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Romanos 5.12 nos diz: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.” O pecado como uma enfermidade hereditária, passou de Adão a todos aqueles que nasceram após ele, com a única excepção de Jesus, que foi gerado pelo Espírito de Deus (Mt 1.20). A este pecado universal, foi dado uma condenação universal (Rm 6.23), mas a esta condenação um perdão universal. “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos serão feitos justos” (Rm 5.18-19). A universalidade do pecado é manifestada em duas formas distintas:
O pecado congênito -
Mortal (nascido com o homem): Sl 51.5; 139.15-16; Hb 6.4-6
O pecado ativo - Venial (praticado pelo homem): 1Jo 1.9; 2.1; Ez
18.4 ![]()
A salvação é uma dádiva da Divindade, pois todos pecaram à forma de Adão, e destituíram-se da sua graça. O plano salvífico nada mais é do que Deus abrindo uma porta para os que quizerem evitar a condenação eterna, possam livremente e gratuitamnte abraçá-lo. Fundamentalmente o que determina o homem ir para o céu é ter sua vida perdoada, mantida no altar e com azeite em sua lâmpada (Mateus 25.1-13). Segundo a Parábola de Jesus, as virgens que ficaram não tinham azeite — vida espiritual. Não tinham azeite porque estavam caídas da graça de Deus.
Desvio
- Afastar-se de um ponto, de um alvo (Filho pródigo): Lc 15.11-32
Queda - Cair de uma posição original, desistir, apostatar (Judas Iscariotes):
Lc 22.1-6
A Bíblia nos diz que o ser humano caiu em Adão (Rm 5.12; Rm 3.23; 1Co 10.12). Esta é a Primeira Queda. Todos que nasceram depois de Adão, nasceram já caídos (Rm 6.23; Rm 11.32; 1Co 15.45). Para a primeira queda do homem - em Adão, só existe uma Restauração - em Cristo! A este feito, a Bíblia o denomina de novo nascimento, regeneração (Jo 1.13; 2Co 5.17).
O homem depois de nascer de novo (ser salvo e redimido pelo sangue do sacrifício de Cristo) poderá tornar a cair (apostatando, rebelando, ou blasfemando contra o Espírito Santo), no entanto, a ele não restará mais restauração (Hb 6.4-6), pois pisou o Filho de Deus e teve por profano o sangue do testamento, com que foi santificado, fazendo agravo (denigrindo, blasfemando, jogando fora a oportunidade) ao Espírito da graça, e expondo o Filho de Deus de novo ao vitupério (Hb 10.29; 6.6).
Se o homem cair é porque ele esteve em pé (1Co 10.12). Se esteve em pé, é porque Deus o alcançou, e ele experimentou a graça de Deus — “aquele pois que cuida está em pé olhe e não caia” (1Co 10:12). A graça foi manifestada, porém ela pode ser rejeitada — “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11). Na graça de Deus estão envolvidos:
Plano de Deus - Jo 3.16
Incarnação de Cristo - 1Tm 3.16
Pregação do Evangelho - Mc 16.15; Mt 28.19,20
Sacrifício no Calvário - Is 53
Redenção - Ef 1.7; 1Tm 2.6
Volta
de Cristo - 1Ts 4.13-17
Dentro de uma pura exegese bíblica, só existe uma queda possível de uma regeneração — a queda em Adão! O desvio, o crente pode experimentar várias vezes, sem, entretanto, a princípio ter o risco de perder sua salvação, ficando sem azeite; mas o cair só ocorreu uma única vez! Não se pode recair e ser regenerado pela segunda vez. Vejamos:
Hb 6:4-6
- "porque é impossível que os que já uma vez
foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito
Santo, e provaram a boa palavra de Deus e a virtude dos séculos futuros, e recaíram,
sejam outra vez renovados para arrependimento.";
Hb 10:26,27
- “porque se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento
da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação
horrível de juízo”;
2 Pe
2:20
- “Porquanto se, depois de terem
escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus
Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último
estado pior do que o primeiro”;
1
Jo 5:16 - “se alguém vir pecar seu irmão pecado que não é para a morte, orará, e Deus
dará vida àqueles que não pecarem para a morte”;
Mt
12:32
- “mas se
alguém blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste
século nem no futuro”!
Sim, podemos nos desviar, e sermos restaurados!
Entretanto, se cairmos da graça nunca mais
poderemos ser restaurados! Fundamentalmente, sabemos que a salvação não vem pelas obras, "porque
pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós;
é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie"
(Ap 3:7; Ef 5:8,9). A
Soteriologia nos confere o
seguinte ponto de vista doutrinário: o homem caiu uma vez
no “Primeiro
Adão” (que veio em alma vivente), e só
pode ser regenerado uma vez, pela fé, em Cristo Jesus,
o “Segundo Adão”
(que veio em espírito vivificante) —
"pelo
que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim
também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram"
(Rm 5:12). Assim, conclui-se que, tanto antes ou depois do arrebatamento, os
que por infelicidade caíram, rebelando-se contra Deus ou pecando contra o
Espírito Santo não estarão mais possibilitados ao arrependimento,
ação
esta inerente ao Espírito Santo
para a regeneração que qualquer ser
humano!
Durante a Grande Tribulação,
por exemplo, e
conforme a fraseologia bíblica, podem dar o
pescoço ou deixar de dar, porque não mudará a sentença determinada para os
negligentes que ficaram para trás - "e, ele respondendo, disse: em
verdade vos digo que não vos conheço" (Mt 25:12). Cristo só tem uma
noiva, não tem concubinas! Obviamente, historicamente
entendemos
que será um ato de
grande
coragem para os que, por um
mero sentimento religioso culposo, dispuserem seus pescoços à guilhotina
do Anticristo!
Haverá sempre heróis que se sacrificarão por uma causa nobre ou não, como
fez o terrorista americano, Timothy McVeigh,
no bombardeamento do edifício federal de Oklahoma City, e John Walker, na
cooperação com os terroristas talibans do Afegnistão. Porém,
o Senhor Deus não quer sacrifício, mas sim obediência. E, obediência, já!
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Já observamos a definição do pecado. Para melhor compreendermos a Teologia da Queda, devemos lembrar os três pontos doutrinários quanto ao Pecado:
Pecado Original:
Pecado que nasceu no coração de Adão, implantado pela tentação de Satanás (Hb
11.13; 1Pe 4.6). A primeira reação do pecado inoculado é que Adão e Eva viram
que estavam nus (Gn 3.10).
Pecado Congênito:
Pecado que passou a todos aqueles que nasceram depois de Adão. Todo o ser humano
nasce com seu espírito morto, debaixo da condenação do pecado (Sl 51.5; Rm
11.32). Quando o homem aceita a Cristo como Salvador, Deus perdoa o seu pecado,
erradicando-o completamente
através da propiciação efetuada pelo sangue de Cristo, e o homem se torna uma nova criatura (Jo 3.3). Este
ato divino na vida do homem é chamado de regenaração (Tt 3.5).
Pecado Venial:
Depois de perdoado pelo sangue do sacrifício de Cristo e regenerado, o homem se
tornar a pecar, pela sua própria concupiscência ou por uma tentação, pode ter o
seu pecado perdoado. Jesus nos assegura o perdão, por meio de sua intercessão ao
Pai, quando lhe pedimos perdão (1Jo 2.1). A Bíblia é clara quando nos diz:
Filhinhos não pequeis, mas se pecardes, tendes um advogado para com o Pai!
Para o pecado original de Adão foi providenciado o perdão pela fé (Gn 3.21). Os sacrifícios de animais cobriam o pecado do homem até chegar o perfeito. A remissão do pecado original de Adão e do pecado congênito de outros personagens Vetero-Testamentários, foi efetuado no Seio de Abraão (área do Hades destinada para os espíritos dos justos, os quais estavam pendentes de condenação ou salvação), após a pregação de Jesus aos espíritos em prisão (1Pe 3.18-19). O pecado congênito dessas pessoas que morreram na fé foi potencialmente perdoado no Calvário, mas remido no Seio de Abraão. Jesus transladou do Seio de Abraão para o Paraíso todos aqueles que o haviam aceitado pela fé, mas não tinham alcançado a promessa no seu tempo (Hb 11.39,40). A pregação de Jesus aos espíritos em prisões (1Pe 3:19; 4.6) tem duplo sentido teológico:
Evangelisó - Boas Novas: Pregação para perdão
dos que estavam no
Seio de Abraão (1Pe 4:6).
Kairusós - Proclamação: Pregação para condenação
dos que estavam no
Hades (1Pe 3:19).
Entendemos então, que o mundo, ou
aqueles que nunca receberam Cristo como Salvador, permanecem em seus pecados
congênitos. Se morrerem sem Cristo, eles irão para o inferno. Aqueles que foram
regenerados são passíveis ao pecado venial, o qual pode ser perdoado ao
confessá-lo
à Cristo. O desviado é caracterizado pela sua permanência no pecado.
A prolongação no pecado ou a ausência de perdão, traz uma impermeabilidade
contra o Espírito de Deus —
cauterização, o qual é o agente que gera arrependimento e convence
o homem do pecado, da justiça e do juízo. Esta impermeabilidade torna o desviado
insensível, cauterizando sua mente. A permanência na desobediência e rejeição
à
voz do Espírito Santo pode levar este desviado a se rebelar e apostatar da fé.
Quando isso ocorre, este homem recai de sua fé, e a esse, a Bíblia diz: É
impossível que seja renovado (Hb 6.6).
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Existem três fatores principais que levam o homem a perder a salvação:
Apostasia
- Separação de Cristo (1Jo 5.16). Geralmente a pessoa começa a pregar
contra uma ou mais doutrina
cardinal (Hb 12.15).
Rebelião
- Se levanta contra a obra ou contra a Igreja Universal (Jd 12; Gn 4.9). O
exemplo é Caim. Deus não aceitou o seu sacrifício, pelo conteúdo do sacrifício,
mas por causa da rebelião do seu coração.
Pecado contra o Espírito Santo
- Rejeição completa à voz, à ação e
à advertência do Espírito Santo (Mc 3.29; Hb 10.8). Este é chamado o pecado para
a morte, a qual o Apóstolo João dizia: A este digo que não ore (1Jo 5.16;
Hb 10:29; Mc 3:29).
Portanto, tenhamos pavor destes três tipos de pecados:
O pecado da
Apostasia — afastados de Cristo: 1Jo 5:16; Hb 3:12; 10:26.
O pecado da Rebelião — contra o
povo de Deus: Gn 4:9; Jd 12.
O pecado da Blasfêmia — contra o
Espírito Santo: Mc 3:29; Hb 10:29.
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